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Audiência pública na Câmara Federal discute a caprinovinocultura

Posted by juracyemanuel em setembro 26, 2007

Copiado de: http://www.cnpc.embrapa.br/audiencia.htm 

Audiência pública na Câmara Federal discute a caprinovinocultura

 

Um importante passo para a organização das cadeias produtivas da caprinovinocultura será dado nesta terça-feira: a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal realiza uma audiência pública para discutir as potencialidades, desafios e dificuldades do setor. Na ocasião, o pesquisador da Embrapa Caprinos e secretário executivo da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, Raimundo Nonato Braga Lôbo, apresentará uma proposta de plano de desenvolvimento para a caprinovinocultura. A Embrapa Caprinos é uma unidade descentralizada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O pesquisador Raimundo Lôbo mostrará que para garantir na mesa dos brasileiros carne de cordeiro produzida no País seria necessário aumentar o rebanho dos animais em 23 milhões de cabeças, o que representa 204 mil toneladas de carne. O aumento da oferta seria capaz de gerar 575 mil novos empregos e de movimentar R$ 277 milhões. A idéia da audiência pública é sensibilizar os parlamentares para a necessidade de um pacote de políticas públicas para a caprinovinocultura. A chefe geral da Embrapa Caprinos, Maria Pinheiro, acredita que a iniciativa da Câmara Setorial em ampliar o debate envolvendo o Legislativo é muito oportuna, pois abrirá novos caminhos para o fortalecimento das atividades ovina e caprina no País. “Deve ser criado mais um importante canal entre os parlamentares e os Arranjos Produtivos Locais nas diferentes regiões do Brasil, onde se observa que há uma efervescência destas duas atividades”.

“Será nossa grande cartada”, defende Ricardo José Schimidt Falcão, presidente da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos. Ele acredita que o evento possa sensibilizar o meio político para as potencialidades e gargalos de um setor que possibilita a inclusão social do agricultor familiar. Os grandes eixos da proposta que será apresentada são “Crédito, Financiamento e Tributação”; “Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Assistência técnica”; “Sanidade, Qualidade e Rastreabilidade” e “Informação, Estratégia e Mercado”. Foram elencadas como grandes prioridades do Plano: o Programa Nacional de Sanidade dos Caprinos e Ovinos; o Programa Nacional de Melhoramento Genético; um estudo do complexo do agronegócio da caprinovinocultura no País; a adequação e eqüalização dos impostos estaduais e federais e no âmbito do Mercosul e a criação de um programa nacional de capacitação continua para técnicos, produtores e trabalhadores rurais.

Perspectivas

Todos os envolvidos na programação da audiência pública esperam que o evento gere impactos positivos na organização do setor. Para Rogério dos Santos Lopes, chefe da divisão de Ovinos, Caprinos e Apicultura do MAPA, a audiência pública é uma excelente oportunidade para que os setores envolvidos com a caprinovinocultura apresentem os entraves existentes e principalmente o potencial de desenvolvimento destas culturas, além de demonstrarem o impacto que algumas ações poderiam gerar para o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva.

Ricardo José Schimidt Falcão afirma que um grande reforço para a mobilização do setor é o crescimento do interesse empresarial observado nos últimos anos. “A saída será a parceria dos pequenos com os grandes”, disse. Ele lembra que um cenário semelhante foi observado para outras cadeias produtivas, como a suinocultura e a avicultura, há cerca de duas décadas, o que provocou uma revolução nesses setores pecuários. Ricardo Falcão, que está animado com a perspectiva, diz que por muito tempo a caprinovinocultura ficou “para trás” por falta de cooperação e organização.

A desorganização ainda reinante é, segundo a coordenadora geral de apoio às câmaras setoriais do MAPA, Sônia Azevedo Nunes, o grande gargalo. Ela projeta perspectivas favoráveis porque observa o começo do movimento de organização, com a participação de vários elos da cadeia produtiva. Outro grande problema apontado por Sônia Azevedo é a instabilidade da oferta.“Existe mercado, mas não há produto”, resume.

O consultor e coordenador da carteira de projetos de ovinos e caprinos do Sebrae, Enio Queijada de Souza, lembra que além da estruturação da cadeia produtiva para a orientação do mercado, o setor precisa melhorar a gestão das unidades produtivas primárias e agroindustriais. Enio Queijada falará, durante o evento, sobre o tema Caprinocultura e Ovinocultura como estratégia de inclusão social. Ele salienta que a caprinovinocultura é uma atividade com um grande potencial para geração de ações de inclusão social. Segundo ele, considerando que cada 40 animais geram um emprego, o aumento do consumo de carne para uma taxa equivalente a 12% do consumo de carne bovina no Brasil seria capaz de gerar 3,6 milhões de novos empregos. Mas, uma taxa de consumo nesse nível ainda é sonho, pois o País sequer produz o necessário para abastecer o mercado interno. O presidente da ARCO, Paulo Schwab, salienta que o Brasil reúne condições de clima, solo, produtores e técnicos capazes de aumentar a produção. “O Brasil não é um País tão rico que possa importar produtos que pode estar produzindo”, concluiu.

Jornalista responsável – Verônica Freire – MTb-CE 01225-JP
Contatos – (85) 88423449, (88) 3677 7000
vfreire@cnpc.embrapa.br

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