Desenvolvimento Nordestino

com Responsabilidade Social e Ambiental

“Trabalho em torno do semi-árido baiano deve ter um estilo próprio de desenvolvimento”

Posted by Desenvolvimento Nordestino em agosto 9, 2007

TOPICO RELACIONADO: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=6205238&tid=2546657777494209892&start=1

 Extraido de : http://www.fapesb.ba.gov.br/cti/noticias/noticia.2007-08-08.4239460437

Fernando Pedrão, doutor em Economia Regional e Urbana
Fernando Pedrão, doutor em Economia Regional e Urbana

Dando seqüência à série de entrevistas sobre o semi-árido baiano, publicamos, abaixo, a opinião do pesquisador Fernando Pedrão, doutor em Economia Regional e Urbana pela UFBA (Universidade Federal da Bahia). O tema está sendo discutido no portal da Fapesb por ocasião do lançamento do Edital Temático do Semi-árido, que acontecerá no próximo dia 27 de agosto.1. Em sua opinião, quais as principais dificuldades enfrentadas no semi-árido baiano e quais as principais potencialidades?Os principais problemas do semi-árido surgem de uma contradição entre o modo de uso de recursos naturais e as condições de reprodução do sistema de recursos físicos. A ocupação depredatória tem sido conduzida pela produção agropastoril e aprofundada por uma extração incontrolada de recursos, praticada, de diferentes modos, pelos grandes interesses e pelos que dependem de lenha para sobreviver.

Ao longo do tempo a lógica dessa produção depredatória – complementada por um extrativismo incontrolado – agiu no sentido de expulsão de população rural, tornando o semi-árido um grande abastecedor de migrantes sem qualificação profissional para as regiões mais prósperas e para as grandes cidades.

Observe-se que a grande região semi-árida, cuja extensão tem sido politicamente administrada, é muito variada e compreende uma pluralidade de situações de povoamento e de condições para formação de um sistema produtivo. A grande questão que se coloca gira em torno das condições econômicas, políticas e culturais de se desenvolver um sistema produtivo compatível com a reprodução dos recursos físicos. Esse é o principal potencial da região, cujo aproveitamento depende de uma combinação de qualificação dos recursos humanos com um aproveitamento de energia solar e manejo adequado de recursos hídricos. Isso significa que se precisa pensar em termos de um estilo próprio de desenvolvimento, contemplando os componentes econômicos, sociais, culturais e políticos, vendo a região como uma totalidade.

A questão do estilo de desenvolvimento é um passo prévio ao fomento de pequenos projetos que podem simplesmente contribuir para perpetuar o atual modelo desigual, ou representar dispersão e perda de recursos.

2. Qual a importância de um edital público voltado para o semi-árido?

O edital pode ser um passo importante no caminho da definição de uma política regional adequada para o semi-árido, se contemplar esse esforço de trabalhar em torno de um estilo próprio de desenvolvimento. De outro modo, a imensidão do problema tornará irrelevante qualquer iniciativa dessa índole. O edital deve contribuir para redirecionar os esforços de planejamento da região, em que o Estado da Bahia assuma a responsabilidade que lhe cabe. Deve ser um chamado para uma atuação mais efetiva das secretarias de estado, tais como planejamento, infra-estrutura, indústria e agricultura. Choca ver como foram abandonados estudos realizados sobre setores tais como o de oleaginosas, que constitui uma oportunidade para o semi-árido.

3. O sr. tem conhecimento de pesquisas realizadas no semi-árido? Foram bem-sucedidas? Em caso afirmativo, que resultados elas obtiveram? Em caso negativo, o que aconteceu para que não dessem certo?

Há pesquisas sobre o semi-árido desde a década de 1950, empreendidas pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Banco do Nordeste, pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e por universidades do Nordeste, além de trabalhos de Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) etc. O governo do Estado da Bahia empreendeu pesquisas que se perderam ou de que se tem memória fragmentada. A perda de pesquisas é um desastre tão grande quanto a inadequação das políticas. A descontinuidade e o fisiologismo da política, tanto da federal como da estadual, têm sido fatores decisivos, que estão associados ao controle político do semi-árido pelos efeitos viciosos em cadeia de articulação entre prefeituras, deputados estaduais, deputados federais e políticas de controle – como os carros-pipa – mais que políticas de emancipação. O semi-árido continua como objeto de política e não como sujeito de processos sociais.

Para acessar a primeira entrevista da série, com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia, Ildes Ferreira, clique aqui.

Data: 08/08/2007
Fonte: ASCOM SECTI / FAPESB

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