Desenvolvimento Nordestino

com Responsabilidade Social e Ambiental

Manejo ecológico do solo

Posted by Mercedes em julho 11, 2007

 

* Estudo cedido gentilmente pelo Professor José Luiz Viana do Couto, que é Engenheiro Agrônomo (http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/index.htm)

E-mail para contato: jviana@openlink.com.br

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MANEJO ECOLÓGICO DO SOLO


Título do livro de Ana Primavesi, Livraria Nobel, 3a. ed., S. Paulo, 541 pág., 1981. Mostra o solo como ele é: um mecanismo complexo, animado, praticamente vivo, que se modifica constantemente, mas cujo manejo não é tão difícil, conhecendo-se os seus princípios básicos. Base da Agricultura Orgânica. Uma mão na roda para a Agricultura Familiar. Um deleite para os que, morando nas cidades, sempre que podem dão uma de roceiro, em seu sítio, nos fins de semana e feriados.

Solo[http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx] do Lat. solu s.m.,
camada superior da crosta terrestre constituída, principalmente, por elementos minerais e húmus; terreno arável.

Formado pela lenta decomposição das rochas, por efeito da chuva e dos ventos, ou por depósitos no fundo do que eram oceanos, há milênios. Constituído de materiais sólidos (45% de minerais e 5% matéria orgânica), líquidos (30% de água) e gasosos (20% de ar). As partículas sólidas (argila, silte, areia e minerais) formam um arranjo poroso tal que os espaços vazios, denominados poros, têm a capacidade de armazenar líquidos e gases.

As proporções de areia, silte e argila determinam a textura do solo. O arranjo das diversas partículas, juntamente com os efeitos cimentantes de materiais orgânicos e inorgânicos, determinam a estrutura do solo. Os materiais orgânicos consistem de resíduos vegetais e animais, parte dos quais são vivos e o restante se apresentando em diversos estágios de decomposição, denominados húmus.

A parte líquida do solo constitui-se essencialmente de água, contendo minerais dissolvidos e materiais orgânicos solúveis. Ela ocupa parte (ou quase o todo) do espaço vazio entre as partículas sólidas, dependendo da umidade do solo. Esta água é absorvida pelas raízes das plantas ou é drenada para camadas de solo mais profundas e, por isso, precisa ser periodicamente reposta pela chuva ou pela irrigação, para garantir uma produção vegetal adequada.

A parte gasosa ocupa os espaços vazios não preenchidos pela água. Esta é uma porção importante do solo, pois a maioria das plantas exige certa aeração do sistema radicular, com exceção de plantas aquáticas, como o arroz.

MORO NUM PAÍS TROPICAL
As regiões tropicais, segundo Ana Primavesi, apesar da insolação e de serem as mais populosas, apresentam a menor taxa de produção alimentar do mundo. A exceção é o Brasil.

As técnicas agrícolas devem ser adaptadas aos nossos solos e ao nosso clima tropical. Na década de 60, até nas Escolas de Agronomia do Brasil se ensinava a plantar do jeito dos Norte Americanos e dos Europeus, com sérios prejuízos para os nossos solos. Começa que a FAO recomenda uma reserva mínima de 30% de florestas, para manter o clima suportável. Ainda segundo a autora, todos estão empenhados em aumentar a produção agrícola. Porém, ninguém nos poderá ensinar o know how (como fazer). Este, tem de ser encontrado pela pesquisa nos trópicos. E a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias – EMBRAPA, com mais de 25 anos de atuação, vem fazendo isso com competência. Essa é a razão de sermos uma potência agrícola.

O fator mais importante para a produção de solos tropicais é a sua bioestrutura, ou seja, a manutenção da estrutura grumosa dos solos para a produção agrícola.

EM RESUMO: necessita-se de técnicas, mas somente daquelas apropriadas à região em que devem ser usadas !

Para iniciar, uma boa semente
Os princípios básicos da produção vegetal são iguais em todo o mundo. A planta é composta de inúmeras células, cada qual uma verdadeira “fábrica” de substâncias orgânicas, inclusive liberando e transformando energias. Para isso ela necessita de luz solar, água, elementos químicos (N, P, K e outros), enzimas e da fauna do solo.

O início de todo metabolismo na planta (dita superior) se dá a partir das reservas que a semente possui. Daí a importância das sementes serem boas e bem nutridas. A planta forma as primeiras raízes e folhas e ainda com as reservas da semente, absorve água e inicia a fotossíntese. Para tanto ela possui aberturas nas folhas, os estômatos[http://www.herbario.com.br/cie/universi/teoriacont/RHFig12.gif], pelos quais sai a água transpirada e entra o gás carbônico (CO2). Já ouviu falar em “seqüestro de carbono” e “créditos de carbono” ?

Com este dióxido de carbono e água, a planta forma os primeiros carboidratos (C-H2-O)n, com quantidades diversas do grupo destes elementos como, p.ex., C6H12O6, que é o açúcar mais comum conhecido, a glicose.

A planta decompõe, em parte, a glicose, para obter energia; outra parte ela utiliza para formar substâncias mais complexas, proteínas inclusive.

Uma substância vegetal conhecida como Trifosfato de Adenosina – ATP, armazena e transfere a energia para onde a planta necessitar.

Sem fósforo, contudo, não ocorre nenhum processo metabólico, nem formação de substâncias vegetais, nem divisão celular.

Portanto, onde se necessita de energia, faz-se necessária a presença de Fósforo (símbolo químico P). O processo pelo qual a planta decompõe seus produtos fotossintetizados para gerar energia, chama-se simplesmente respiração.

É claro que existem plantas que não se reproduzem por meio de sementes mas, é bom lembrar, a IRRIGAÇÃO por si, não faz milagres. A água, simplesmente, torna possível concretizar a produção contida na BOA SEMENTE.

O solo, a água e a planta
Ao perder água, cria-se na folha um déficit chamado “pressão negativa” ou “tensão”, que é a força de sucção com que parte da água do solo entra na planta, uma vez que essa força se dá em todo o sistema vascular. Ela depende da temperatura do ar e da umidade relativa.

Quanto mais baixa for a umidade relativa do ar, tanto maior será a força de sucção da raiz.

Quando os estômatos fecham, a diferença de pressão será muito pequena, não havendo força suficiente para a absorção, especialmente quando a concentração de íons na água do solo for elevada, como acontece nos solos salinos.

Nos trópicos, a planta absorve boa parte da água pela pressão osmótica da raiz (a água passa pela membrana da célula, a partir do lado cujo conteúdo tem menor densidade) e até o transporte (subida) para as folhas pode se processar, em parte, pela “pressão” da raiz e em parte pela “tensão” na folha.

A pressão osmótica da raiz depende, principalmente, do metabolismo vegetal e somente em pequena escala, dos cátions acumulados no vacúolo celular. Segundo White (1938), o vegetal é capaz de bombear água até 60 m de altura por pressão da raiz. Nas árvores maiores, também a transpiração e a capilaridade influem.

DINÂMICA DA ÁGUA NOS SOLOS TROPICAIS

Quando a planta é bem nutrida e a solução do solo possui concentração fraca (como ocorre normalmente em solos tropicais, considerados pobres em nutrientes), a planta absorve a água com muita facilidade.

Como a planta compensa a menor quantidade de nutrientes por um maior volume de solo, que é ocupado por um sistema radicular maior (mais denso e mais profundo), ela não somente absorve água com facilidade, mas ainda encontra muita água disponível no solo.

Para que isso ocorra, entretanto, é necessário que o solo tenha uma estrutura grumosa, com densidade aparente baixa (0,9 a 1,2 g/cm3), ou seja, que não esteja compactado e que não seja muito argiloso.

O contrário se dá quando a concentração da solução do solo é alta, como nos casos de solos salinos, nas terras muito adubadas ou em época de seca (quando a água do solo diminui). A planta sofre a falta de água com facilidade, apesar de existir água em quantidade suficiente no solo. Chama-se a isso de “seca fisiológica”. É como um náufrago no oceano: está rodeado de água, mas não pode bebê-la.

CONCLUSÃO: planta mal nutrida sofre de seca com muito maior antecipação que uma bem nutrida.

A planta somente é bem nutrida quando for capaz de metabolizar em pouco tempo os nutrientes absorvidos.

Verifica-se uma interação muito estreita entre fotossíntese e potencial radicular. Se a fotossíntese diminuir, a raiz é pior nutrida e diminui seu potencial de absorção. Diminuindo a absorção de água e nutrientes, diminui, por sua vez, a fotossíntese. Os carboidratos, os cátions (Ca, K e outros) e o Boro interferem nesse processo.

Desses conceitos, tira-se uma lição importante: os métodos de irrigação localizada (água ao pé da planta, com baixa vazão e alta freqüência), principalmente o gotejamento, são mais eficientes não apenas pela economia de água, mas por não “estressarem” a planta (pela ausência momentânea de água, como nos demais métodos); por “empurrarem” os sais do solo para os limites do bulbo úmido (longe do contato com as raízes) e pela planta não precisar emitir raízes em busca de água (poupando suas energias).

Água é vida !

A importância da TEMPERATURA
Em clima tropical, as plantas atingem o ótimo de respiração e fotosssíntese, com 25oC. Nos climas temperados, isso se dá ao redor de 12oC.

Se a temperatura subir acima desses limites, os estômatos de muitas plantas se fecham, porém continua a respiração sem que haja fotossíntese, baixando, portanto, não somente a produção de substâncias fotossintetizadas mas, aumentando seu gasto. De modo que, próximo dos 48oC, alcançam o ponto zero, no qual as plantas não fixam qualquer quantidade de CO2/cm2folha.hora e começam a gastar as suas reservas.

O efeito da temperatura depende, não somente das propriedades genéticas do vegetal mas, igualmente, das disponibilidades de água e de uma respiração econômica, ou seja, um máximo de energia liberada de um mínimo de glicose, o que ocorre somente em solo suficientemente arejado.

CONCLUSÃO. O efeito benéfico das temperaturas elevadas depende:
a) da proteção de um superaquecimento — pela área foliar ou cobertura morta;
b) de água à disposição — por raízes profundas ou pela irrigação;
c) de ar suficiente no solo — pela estrutura grumosa e sua conservação;
d) de nutrientes disponíveis e em quantidades adequadas.
As técnicas na agricultura tropical devem ser adaptadas a estas exigências.

Nos climas temperados (EUA, Europa), a produção vegetal depende essencialmente de técnicas de animação da respiração (fraca, devido as baixas temperaturas) e de aquecimento do solo (a razão das arações e do solo nu, exposto, antes do plantio)(*), para criar mais energia para o metabolismo.

Nos climas tropicais (como o nosso) ocorre o inverso. Respiração e metabolização são muito ativos e a fotossíntese se torna facilmente deficiente. Assim…

As técnicas agrícolas devem restringir a respiração e aumentar a fotossíntese.

TÉCNICAS PARA DIMINUIR A RESPIRAÇÃO
1 – Reduzir a temperatura do solo: a) pela redução dos espaçamentos entre plantas; b) pela adoção de culturas intercaladas entre as linhas de plantas; e c) pelo uso intensivo da cobertura morta ou palha.
2 – Semi-sombrear a cultura, protegendo-a da insolação excessiva, sendo 30% de sombra o suficiente.

TÉCNICAS PARA AUMENTAR A FOTOSSÍNTESE
1 – Água suficiente para evitar fechamento dos estômatos; com irrigação e matéria orgânica.
2 – Gasto econômico de água; pela sanidade e nutrição vegetal.
3 – Diminuição da respiração (vide acima).
4 – Produção máxima de energia; pelo arejamento do solo.
5 – Produção rápida de substâncias orgânicas; pela adição de micronutrientes.
6 – Controle da temperatura; com florestas e açudes.
NOTA: A produção de fotossíntese é maior nas gramíneas tropicais, como a cana, milho, sorgo e forrageiras.

OBS.
(*) Até a década de 60, era assim que nos ensinavam nas Escolas de Agronomia, como na ENA, atual UFRRJ, onde colei grau.

O abastecimento da planta com água do solo
O abastecimento da planta com água, depende da sua disponibilidade no solo.

A água disponível é aquela que se encontra nos poros médios do solo.

Estes poros (espaços entre os grãos de areia, silte ou argila) devem ser tão pequenos que não percam água pela ação da gravidade, mas grandes o suficiente para que a planta possa retirar o líquido dali com facilidade. Isso depende da TEXTURA (tamanho das partículas) do solo.

A areia fina é o ideal, mas pobre em nutrientes. Já a argila, apesar de rica, retém a água com tanta força, que poucas plantas conseguem retirá-la do solo.

A disponibilidade de água no solo, mede-se em pF, atmosferas (atm), ou milibar (mB), que representam matematicamente a força com que ela é retida pelas partículas.

Uma coluna d´água de 1.013 cm de altura, corresponde a 1 atm de pressão, 1.013 mB ou pF 3. Os valores mínimos oscilam entre 0,14 e 0,65 atm, ou seja, pF 2,18 a 2,81. Geralmente se estabelece como limite de água disponível, o que pode ser retirado a 2,4 pF de tensão máxima. As exceções são plantas que atingem pF 4,5 ou seja, 15 atm e em casos extremos até 100 atm.

Para que haja água disponível no solo, deve haver antes de tudo a possibilidade de infiltrar-se. Por sua vez, as plantas devem encontrar condições favoráveis para retirá-la dali, com:
- raízes fortes e saudáveis;
- solos arejados e não adensados;
- baixa força de retenção (pF); e
- pressão osmótica menor que a da raiz.

Assim como uma adubação aumenta a eficiência da irrigação em solos pobres, ela também pode ser o fator de indução de uma seca precoce, por elevar a pressão osmótica do solo (seca fisiológica). Além disso, os íons possuem um efeito hidratante (Na>K>Ca>Al) ou desidratante sobre as células da raiz, que depende da camada em volta do núcleo do seu átomo e que diminui com o aumento da valência dos íons.

CONCLUSÃO. Deve haver equilíbrio entre os íons mono e bi ou trivalentes. Esta é a razão por que qualquer íon em solução monossalina ou seja, isoladamente, tem efeito negativo sobre o crescimento vegetal. Assim, potássio (K, monovalente) necessita de cálcio (Ca, divalente), para ser equilibrado.

O importante não é uma quantidade grande de um nutriente mas o equilíbrio entre os nutrientes.

Como ensina a prática de campo, tanto em solo com calagem elevada como em solo com teores elevados de alumínio, pode ocorrer uma “seca fisiológica” nas plantas, que mostram todos os sinais de seca, antes que estes apareçam nas outras glebas plantadas.

A tensão da água no solo pode ser medida com um dispositivo simples, que imita a raiz de uma planta, chamado tensiômetro[http://www.infojardin.com/articulos/fotos-tensiometro/tensiometro-dibjo-raiz.gif], confeccionado com cápsula de cerâmica porosa, mostrador e peças de PVC.

RAIZ: mais que um pilar da planta no solo
Por ficarem em sua maioria, abaixo do solo, as raízes das plantas[http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./educacao/index.php3&conteudo=./educacao/raizes.html] não recebem a atenção que merecem. Alguns chegam a pensar que elas só servem para fixar e manter a parte aérea, como se fora o pilar de uma casa. Ledo engano.

A raiz é a base para que a planta possa produzir.

Algumas das suas (importantes) funções na planta e no solo são:
1 – Fixar a planta no solo.
2 – Deixar penetrar a água, ar, sais minerais e outros alimentos.
3 – Excretar substâncias do metabolismo e de defesa.
4 – Permitir a simbiose com bactérias fixadoras de N do ar.
5 – Explorar o solo em busca de água e alimentos.
6 – Servir de alimento e remédio ao homem.
7 – Dificultar o escorrimento da água na superfície e a erosão (caso das gramíneas).

Solos tropicais produtivos devem ser grumosos, permitindo um arejamento adequado da raiz, com uma taxa mínima de 10% de oxigênio no ar do solo.

Quando a raiz tem desenvolvimento livre, duplicando seu comprimento, o espaço de solo explorado será 8 vezes maior, absorvendo mais água e nutrientes. Portanto, qualquer barreira física que impeça o livre desenvolvimento radicular (principalmente os adensamentos do solo, pelo pisoteio do gado e a passagem de máquinas e implementos agrícolas e o lençol freático muito raso), representa um impecilho ao desenvolvimento vegetal.

O SOLO ADENSADO
O solo adensado oferece um ambiente péssimo para a raiz que, na impossibilidade de se expandir, facilmente sofre com a deficiência de água, ar e nutrientes. Em campos onde as máquinas agrícolas levantam nuvens de poeira durante seu trabalho; onde houver erosão quando chover; e onde se abrem rachaduras e fendas ao secarem, as raízes serão reduzidas, retorcidas e finas. E a produtividade será baixa.

Além disso, por força do adensamento (ou compactação do solo), quando aumenta a densidade aparente, diminuem os macroporos, a infiltração, o pH, a saturação em bases e aumenta o alumínio tóxico.

LENÇOL FREÁTICO RASO
Embora a água seja indispensável a qualquer processo químico ou biológico no solo, as raízes suportam seu excesso tão mal quanto uma escassez da mesma. Nenhuma cultura, com exceção do arroz, consegue crescer num solo saturado a 100% de sua capacidade de campo.

Quando o nível freático é muito superficial, como ocorre em muitas regiões da Amazônia (em Altamira-PA, p.ex.), a mata pode ser derrubada com trator Caterpiler à diesel, por causa de suas raízes muito superficiais.

O POTENCIAL RADICULAR
Cada planta apresenta-se com suas raizes dotadas de uma maior ou menor eficiência quanto à capacidade de penetrar no solo e mobilizar nutrientes. Esse potencial de mobilização depende:
a) das excreções radiculares;
b) da microflora trófica; e
c) da pressão osmótica da raiz.

Segundo o potencial radicular, organizam-se as rotações de culturas. Por exemplo: algodão – milho – sorgo (potencial pequeno, médio e grande, respectivamente). Porém, no fim da rotação, deve entrar uma cultura que recupere o solo, como as leguminosas e gramíneas de porte pequeno. As leguminosas mobilizam o fósforo e ainda fixam o nitrogênio atmosférico. As gramíneas protegem e melhoram a estrutura do solo, tornando os nutrientes mais disponíveis.

Portanto, amigo, não faça como os políticos, que menosprezam as obras de saneamento porque os tubos ficam enterrados e não aparecem. As raízes, como os tubos de água e esgoto, levam vida e excrementos da planta, tornando-as produtivas.

Principais características dos solos
Sob o ponto de vista agronômico, o solo constitui o substrato para qualquer atividade agropastoril, sendo (dependendo do manejo ao qual é submetido) passível de degradação ou melhoramento em seu potencial produtivo. Este recurso está inserido dentro de um ecossistema e, portanto, sujeito às variações dos demais componentes, em especial: clima, vegetação e sistema hídrico.
(Fonte: Revista Informe Agropecuário, Belo Horizonte, ago/85, p.55)

Deve-se ressaltar que o solo não se resume apenas às suas partículas minerais, mas sim a um conjunto composto de minerais, matéria orgânica, organismos vivos, ar e água (solução do solo), cujo equilíbrio reflete no seu potencial produtivo.

APTIDÃO AGRÍCOLA DOS SOLOS
A aptidão agrícola das terras é feita calcada nas informações pertinentes às características do ecossistema, nas propriedades físicas, químicas e morfológicas das diferentes classes de solos, visando aquilatar o grau de desvio de determinadas qualidades básicas das terras. Relaciona-se, pois, a:
1 – nutrientes minerais.
2 – água disponível.
3 – oxigênio no solo.
4 – mecanização agrícola.
5 – susceptibilidade à erosão.
6 – temperatura do ar.

Primavesi, em Manejo Ecológico do Solo, relaciona outras características e práticas agrícolas que influem na fertilidade do solo agrícola:
a) matéria orgânica;
b) teor de argila;
c) capacidade de troca de cátions;
d) calagem;
e) incorporação de palha; e
f) adubação verde.

MATÉRIA ORGÂNICA. É toda substância morta no solo, quer provenha de plantas, microrganismos, excreções animais (da fauna terrícola), quer da meso e macro-fauna. Indispensável para a manutenção da vida no solo. E não há dúvida que a bioestrutura e toda produtividade do solo, se baseia na presença de matéria orgânica em decomposição ou humificada.

TEOR DE ARGILA. A diferença entre areia, silte e argila, está no tamanho das partículas sólidas: 0,2-0,005/0,005-0,0005/<0,0005 cm, respectivamente. Cada solo, conforme seu teor em argila, possui um nível mínimo de matéria orgânica e que praticamente não perde. Este mínimo de matéria orgânica é aproximadamente 0,3% para cada 10% de argila. Assim, p.ex., um solo com 70% de argila, possui um mínimo entre 2,1 e 2,5% de matéria orgânica.

CAPACIDADE DE TROCA DE CÁTIONS (CTC). São os elementos trocáveis (Ca, Mg, K, S, Al, etc.) que formam o lastro da fertilidade do solo, ou seja, quanto maior a CTC, maior a fertilidade. Existe uma relação entre o tipo de argila e a CTC. P.ex.:
CTC de argilas cauliníticas = 2,5 a 15 me%
CTC de argilas montmoriloníticas = 25 a 180 me%

CALAGEM. Adição de produtos em pó à base de cálcio, como o calcáreo e a cal, entre outros motivos, para mudar o pH do solo. Pela calagem de um solo ácido, ativa-se a microvida e, conseqüentemente, a decomposição dos restos orgânicos. Sabe-se que 1% de matéria orgânica no solo se pode formar 0,1% de húmus, que influi favoravelmente nas propriedades químicas do solo.

INCORPORAÇÃO DE PALHA. A palha, incorporada até 8 a 10 cm de profundidade, protege o solo da insolação, permite aumentar a infiltração da água, a fixação de nitrogênio do ar e ainda promove a agregação do solo, tornando-o grumoso e mais produtivo. Isso se dá entre 3 e 8 semanas após a sua aplicação. Após 3 meses, em clima tropical, cessa o efeito e deve-se repetir a prática.

ADUBAÇÃO VERDE. Como os vegetais, ao morrerem, devolvem ao solo os elementos minerais que acumularam ao longo da vida, a sua incorporação ao solo chama-se de adubação verde. Contudo, tanto o estrume de curral curtido como a adubação verde, ao contrário do que se imagina, não enriquecem o solo com matéria orgânica (segundo Primavesi), mas aumentam a soma de bases (CTC) e beneficiam com isso a colheita.

Agricultor, para conhecer a fertilidade do seu solo, retire uma amostra e envie para um laboratório de análises pedológicas.

A batalha invisível na rizosfera
Rizosfera é o volume de solo ocupado pelas raízes das plantas vasculares.

A biologia do solo agrícola tem como agentes principais: bactérias, algas, fungos, amebas, nematóides, colêmbolos, ácaros, anelídeos (minhocas), larvas de insetos (e de outros animais), cupins, formigas, centopéias, miriápodes, aranhas, etc.

Certos fungos controlam nematóides patógenos (que causam doenças às plantas) como, p.ex., os de aveia e abacaxi; ácaros controlam os fungos; e formigas controlam os ácaros. Por isso falamos em batalha. Invisível, por que se dá no interior do solo, na rizosfera.

O homem pode interferir nessa guerra (pela sobrevivência), de forma positiva ou negativa. O controle, em solos adequadamente manejados (a forma positiva), é eficiente. Por exemplo. Milho, capim-pangola e alfafa, são culturas hostis à maioria dos nematóides.

Controlam-se pragas, criando-se condições adversas à sua multiplicação. Rotação de culturas, plantas protetoras, sombreamento do solo (com cobertura morta, na época seca), adubação fosfatada e calagem, suprimento adequado de potássio e a incorporação superficial dos restos de cultura, são medidas capazes de controlar eficazmente: bactérias, fungos, nematóides e insetos. Há também o caso do “afogamento” das larvas do besouro-da-cana, com a irrigação por inundação.

Contudo, a maneira mais fácil de influir sobre os microrganismos do solo é através da modificação do pH, que se consegue pela calagem, adubação mineral (250 kg/ha de Fosfato cálcico, à lanço) e adubação orgânica.

A proliferação dos microrganismos é limitada pelo pH, riqueza mineral do solo, espécie de matéria orgânica, temperatura e umidade. Em solo com temperatura acima de 20oC, como ocorre em clima tropical e subtropical, predominam as bactérias, havendo menos fungos e actinomicetos.

Com o decréscimo do pH do solo, aumenta a flora fúngica, que mobiliza nutrientes minerais para as plantas, aumenta a possibilidade de retirar água do solo, fixa nitrogênio do ar e defende a rizosfera com antibióticos, sendo os micorrizas (os fungos que vivem em simbiose com a raiz) os mais eficientes. Todas as plantas, com exceção das Crucíferas (família do repolho) e Liliáceas (fam. da cebola e do alho), possuem micorrizas e, portanto, mobilizam nutrientes (em especial fósforo e nitrogênio) melhor até que as próprias raízes. Esses fungos, por dependerem do arejamento do solo, ocorrem mais em solos arenosos; nos argilosos, apenas se forem grumosos.

Tanto as raízes como os fungos, excretam substâncias de crescimento e inibição, que controlam a microflora na rizosfera. E quanto melhor nutrida a planta, mais intensa a microvida na zona da raiz e mais protegida contra doenças. Se mal nutrida, os microrganismos patógenos, podem chegar até a raiz e ataca-la.

Minhocas, centopéias e algumas larvas de dípteros, têm glândulas calcíferas que enriquecem o solo. A presença de cupins sempre é sinal de solos adensados.

AS BACTÉRIAS QUE ADUBAM O SOLO
Calcula-se que os Azotobacter conseguem fixar do ar atmosférico, 40 kg/ha de nitrogênio elementar, o que corresponde a uma adubação química do solo com 200 kg de sulfato de amônio. Graças a essas bactérias, cujo estudo da inoculação em sementes da soja começou há 40 anos no Brasil (EMBRAPA Agrobiologia, Seropédica-RJ), somos o líder mundial nessa técnica e nessa cultura, economizando bilhões de dólares na importação de adubos nitrogenados. É a razão, também, dos gramados permanecerem sempre verdes, na época das chuvas, sem qualquer tipo de adubação. Muitas plantas, em especial as árvores leguminosas, têm uma simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, tanto nas raízes (principalmente) como nas folhas.

RESUMO. Para a fauna do solo vale: Melhor manejar do que querer exterminar. Defensivos (agrotóxicos) são indispensáveis na agricultura moderna (os ambientalistas que nos perdoem), mas somente em casos de emergência, em que o manejo correto falhou.

Senão o bicho pega !

A fertilidade do solo
O manejo ecológico do solo não é um modismo dos ambientalistas, para protestarem contra os agrotóxicos. Nem um apelo de marketing da agricultura orgânica, para se cobrar mais caro pelos produtos agrícolas, nas feiras e supermercados. Ele tem a ver com a fertilidade.

Se perguntarmos a um leigo, por que um solo é fértil, ele deve responder que é por causa da adubação química. Mas não só os minerais são os responsáveis pela produtividade do solo. O pódio deve ser dividido com 2 outros fatores: os microrganismos e matéria orgânica, de um lado e a bio-estrutura do solo, do outro. E como já falamos sobre esses assuntos, vamos nos concentrar na fertilidade.

AS CAUSAS DA FERTILIDADE
A fertilidade do solo pode ser avaliada pelo desempenho vegetativo (exuberância) e produtivo (quilos por hectare) das plantas cultivadas. No que tange aos elementos minerais, 3 assuntos se destacam: a espécie e quantidade do mineral, suas reações químicas e o pH da solução do solo. Vejamos cada um deles.

TIPO DE MINERAL. Os minerais são usados na composição da massa verde da planta e no seu metabolismo, seja interno ou para defesa própria. Uns são requeridos em maiores quantidades (N-P-K) e outros, nem tanto, embora todos sejam indispensáveis. Para serem absorvidos pela planta, devem estar dissolvidos em água, mantidos nas proximidades das raízes, em proporção não exagerada e sob a forma de produtos não-tóxicos.

MOBILIDADE. A mobilidade do mineral pode ser encarada sob 2 aspectos: a) a facilidade do seu deslocamento no perfil do solo pela água da chuva ou irrigação (o fósforo, p.ex., tem baixíssima mobilidade, ao contrário do nitrogênio e potássio); e b) a habilidade de reagir com outros minerais, contidos nas argilas, aumentando a capacidade de troca de cátions ou CTC e, com isso, enriquecendo o solo. É bom lembrar que não basta um solo rico em minerais; as plantas devem ter condições de absorvê-los.

POTENCIAL HIDROGENIONTE – pH. O pH é a medida da quantidade de íons de hidrogênio na solução do solo. Sua escala vai de 0 a 14. De zero a 6,9 é ácido; 7 é neutro e de 7,1 a 14 é alcalino. Varia com o solo (tipo, profundidade, composição, densidade aparente e manejo), cobertura vegetal, clima e adubação. As plantas se adaptam melhor a certos pHs: seringueira 3.5, café 4.5, arroz 5.0, milho 5.5, feijão 6.0 e alfafa >6.0, p.ex. Nas faixas de pH entre 4.1-5.3 e 9.0-10.5, forma-se o Alumínio trocável, tóxico para a maioria das plantas. O pH indica também a percentagem de eletrovalências da CTC ocupadas por bases (Ca, Mg, K, Na). Por sua vez, a calagem, também chamada “correção do solo”, modifica (aumenta) o pH, a CTC e a proporção Alumínio/Cálcio.

O POTENCIAL DA IRRIGAÇÃO
A irrigação, quando bem conduzida, principalmente no semi-árido, aumenta tanto a produção agrícola (em quantidade e qualidade), que chega a parecer milagre. É bom que se diga que esse fato depende, sim, da fertilidade do solo mas, antes de tudo, precisa-se de uma boa semente. A água, nesse caso, apenas possibilita que a planta desenvolva todo o seu potencial genético. Quando o solo é pobre, pode-se adicionar o adubo na própria água (nos métodos de irrigação pressurizados), através da fertirrigação ou quimigação.

E não esqueça, que a erosão é capaz de empobrecer um solo, numa única chuva intensa ou irrigação em excesso.

Adubação química
As principais fontes externas de alimento das plantas cultivadas são as seguintes:
1 – esterco curtido (fezes de boi, galinha, etc.)
2 – resíduos de colheita (folhas e ramos dos cultivos)
3 – plantio e posterior enterrio de leguminosas (fixação de N do ar)
4 – biofertilizantes (efluente do biodigestor e vinhaça)
5 – adubos orgânicos (composto do lixo doméstico, tortas vegetais)
6 – efluentes brutos de esgotos domésticos
7 – cinzas vegetais (ricas em potássio e outros nutrientes)
8 – adubos minerais[http://pt.wikipedia.org/wiki/Adubo].

O manejo ecológico do solo não exclui a adubação química ou mineral[http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/

FontesHTML/Citros/CitrosNordeste/adubacao.htm ], que é indispensável. Adubar o solo[http://www.ia.ufrrj.br/ds/IA321.pdf], significa repor os elementos químicos retirados pela planta e carreados pelas águas das chuvas, a fim de recompor ou aumentar a sua fertilidade, visando a produção agrícola econômica.

Para avaliar a fertilidade do solo[http://educar.sc.usp.br/ciencias/recursos/solo.html], usam-se: a análise química do solo, a análise foliar e observações locais, do solo (cor, profundidade, textura, etc.) e da planta (a clorose internervar das folhas, p.ex., indica solo ácido), inclusive de plantas indicadoras. No link da página sobre coleta de amostra para fertilidade[http://www.unioeste.br/projetos/unisol/projeto/c_agricola/p_correcao_solo.htm] da UNIOESTE, mostra-se o modelo de um resultado de análise de solo.CARACTERÍSTICAS DOS ADUBOS

1 – São o melhor recurso para suprir a falta de nutrientes no solo, mas devem ser incorporados no lugar exato, no momento certo e na quantidade adequada.

2 – Os nutrientes precisam estar em equilíbrio no solo; a adição de um, sem considerar a situação dos outros e a cultura, leva ao fracasso na colheita.

3 – Os adubos orgânicos, por terem menor concentração de nutrientes (<3%), são requeridos em quantidades bem maiores que os minerais (>24%).

4 – Muitos adubos não podem ser misturados com outros e não devem ser usados em certas culturas (KCl e fumo, p.ex., dificulta combustão e cigarro não queima bem).

5 – As deficiências de certos elementos, provocam sintomas visíveis nas folhas, que não devem ser confundidas com doenças vegetais.

6 – A calagem deve ser feita para otimizar a absorção dos nutrientes e não apenas para neutralizar o alumínio tóxico. O pH deve estar acima de 5,5 para que o fósforo permaneça disponível.

7 – As variedades de alta produtividade respondem melhor à adubação mas, quando houver uma deficiência mineral, são as que apresentam maior quebra de safra.

8 – Quanto maior a produção vegetal, tanto maior também a remoção de nutrientes e a conseqüente necessidade de adubação química.

9 – A necessidade de N aumenta com a intensidade de iluminação e diminui com o menor espaçamento das culturas e seu sombreamento. Porém, a adubação nitrogenada impede a fixação de N2 atmosférico.

10 – Sementes de oleaginosas, como a soja e mamona, diminuem o seu teor de óleo e aumentam o de proteínas, com o aumento da dose de N.

É isso aí, amigo. Adube as suas idéias.

P.S.- Outros links úteis ao estudo dos solos agrícolas:

Densidade aparente[http://www.dzo.uem.br/disciplinas/Solos/pratica.doc]

Laboratório de solos[http://www.ucsal.br/lab_solo/index.asp]

Testes de campo para análise do solo
Seria desejável que se recorresse a um laboratório de análise de solos toda vez que se desejasse conhecer particularidades técnicas das nossas áreas de plantio, com vistas a uma adubação e tratos culturais corretivos. Mas, infelizmente, nem sempre isso é possível, seja pela urgência, distância e até falta de dinheiro. Mas, felizmente, existem algumas práticas alternativas, baseadas naquelas feitas nesses laboratórios, que nós mesmos podemos reproduzir no nosso terreno. Apesar de serem expeditas, dão-nos uma boa idéia do parâmetro que buscamos. Veja, p.ex., o caso da densidade aparente[http://geografia.igeo.uerj.br/xsbgfa/cdrom/eixo3/3.4/348/348.htm].

Densidade aparente é a relação entre a massa de uma amostra de solo seca a 110oC e a soma dos volumes ocupados pelas partículas e poros. Ela varia, na maioria dos solos, entre Dap=0,9 a 1,6 g/cm3.

Conhecendo-se a Dap, podemos avaliar algumas propriedades dos solos, como a sua drenagem, porosidade, condutividade hidráulica, permeabilidade ao ar e à água, sua capacidade de saturação de água, etc., ou seja, o seu manejo atual e a possibilidade de uso de algumas culturas, como as que produzem raízes e tubérculos, como a cenoura, aipim, batata doce e outras. Quanto maior a Dap, mais adensado é o solo e menor será a produção agrícola.

COMO SE DETERMINA
Normalmente, a amostra de solo é coletada no campo com um cilindro metálico (chamado anel de Kopeck e método do anel volumétrico) e levada para laboratório para ser secada em estufa e pesada em balança de precisão. O dispositivo tem a forma de um pequeno cilindro, com bordos biselados e volume conhecido (p.ex., 50 cm3).

Crava-se o anel na parede do perfil ou no próprio solo, por pancadas suaves ou pressão, até encher. Remove-se a seguir o excesso de terra, com auxílio de uma faca ou espátula, até igualar ou nivelar as bordas de ambos os lados do anel.

O solo do interior é então retirado para um recipiente impermeável (um saco plástico ou vidro) com uma espátula e levado a secar em uma estufa, para a retirada da água e obtenção da sua massa. Depois, pesa-se e divide-se o resultado pelo volume do anel.

Como não dispomos do anel de Kopeck, vamos improvisar com uma latinha de patê de presunto, daquelas de 130 gramas. É só medir o seu raio e altura (para o cálculo do volume) e retirar com um abridor de latas, a tampa e o fundo. Ao cravá-la no solo, vamos imaginar que os grãos do solo são ovos de codorna, que não podem ser quebrados, ou seja, usemos de delicadeza, para não prejudicar os agregados e poros do solo. Depois, cavamos em volta para poder passar uma espátula na face oposta à da superfície. Retiramos a latinha com cuidado e, em seguida, a porção de solo que ela continha. Como não temos estufa, deixamos a terra secando ao sol, espalhada no fundo de um recipiente de quentinha (ou outro), por umas 4 horas e então a pesamos. Se deu, p.ex., 200 g de peso, teremos:

P = 2.pi.r = 19,2 cm (medido com uma tira de papel e régua grad. em mm)
r=P/(2.pi)=19,2/(2×3,14)=19,2/6,28=3,06 cm
V = pi.r^2.h = 3,14 x 3,06^2 x 5,3 = 155,6 cm3
Dap = M/V = 200/155,6 = 1,29 g/cm3 (ou aprox. 1,3)

Nota: P=perímetro, pi=3,14, r=raio, h=altura da lata, M=massa, V= volume e Dap=densidade aparente.

Obs.: A latinha que usei (patê da Anglo) tinha um peso líquido de 130 g (apesar de nunca vir cheia até a boca). Se o conteúdo fosse solo, a densidade aparente seria de 0,84 g/cm3. Um ótimo resultado.

Conclusão: como Dap=1,3 > 1,2 g/cm3, o terreno não está tão grumoso como deveria (Dap=0,9 a 1,2) e, portanto, devemos ficar alertas para que não se compacte mais pois, além de 1,35g/cm3 há necessidade de aração e Dap>1,6 as raízes não podem mais penetrar no solo.

Rotação de culturas
O agricultor pode adotar diversas estratégias de plantio, quanto à escolha da espécie a cultivar, num mesmo terreno. A saber:
a) sempre a mesma planta = monocultura,
b) duas ou mais simultaneamente = consórcio,
c) cultura(s) sob floresta = sistema agro-florestal e
d) cultura diferente, após colheita da anterior = rotação de culturas.

Uma das medidas mais seguras de controlar a vida do solo, a saúde vegetal e de aproveitar melhor os adubos é a rotação de culturas. É, ainda, uma das melhores medidas para combater as plantas invasoras persistentes.

A rotação de culturas não é uma simples “troca de culturas” de modo arbitrário, mas deve ser um restabelecimento do equilíbrio biológico, debilitado ou destruído pela monocultura.

As culturas modificam o solo e criam um ecossistema diferente, de vários modos:
1 – pela seletividade na absorção de nutrientes
2 – por suas excreções radiculares e micro-vida próprias
3 – graças ao efeito sobre o pH do solo
4 – devido à absorção e transpiração da água
5 – pelo retorno de restos vegetais e
6 – pelo volume ocupado pela rizosfera.

Ao planejar, assim, uma rotação, o agricultor deve, ainda, levar em conta as informações que se seguem.

A maioria das leguminosas não somente agem sobre a estrutura do solo mas, especialmente, sobre o seu enriquecimento em nitrogênio, retirado do ar por bactérias na rizosfera. O valor de muitas leguminosas reside no fato de crescerem rapidamente, protegendo o solo com uma folhagem densa, como a mucuna, feijão-miúdo, kudzu, lab-lab e outras.

As gramíneas de porte pequeno, normalmente, contribuem de maneira eficaz para o restabelecimento da bioestrutura do solo, devido às suas excreções de ácidos poliurônicos, bem como pela quantidade muito grande de radicelas.

Os cereais empobrecem o solo, enquanto as gramíneas forrageiras o enriquecem.

Culturas que esgotam o solo em água: sorgo, girassol, alfafa, estilosantes, etc.

Culturas não esgotantes: Mileto, cereais em geral e leguminosas em sua maioria.

Muitas solanáceas (tomate), leguminosas (feijão), verduras e vários cereais são hospedeiros de nematóides, principalmente em solos arenosos.

As excreções radiculares deixadas no solo não o enriquecem somente em diversas substâncias, mas modificam igualmente seu potencial enzimático, de modo que as condições podem tornar-se favoráveis ou desfavoráveis, não somente para outra cultura, mas também para as próprias sementes e sua germinação.

Por isso, solo de monocultura sempre é mal enraizado, dando margem à erosão.

Segundo as excreções radiculares, as culturas podem beneficiar-se (soja-fumo), tolerar-se (soja-trigo) ou prejudicar-se (soja-aveia). Os benefícios de uma cultura por outra, derivam do fato de que pode utilizar diretamente suas excreções radiculares como, p.ex., aminoácidos.

O QUE SE ESPERA DA ROTAÇÃO
1 – benefício mútuo das culturas (soja-fumo)
2 – uso máximo do adubo aplicado (trigo-soja)
3 – emprego da(s) mesma(s) máquina(s) agrícola(s)
4 – não coincidência dos picos de trabalho e
5 – manutenção do solo sempre coberto.

ROTAÇÕES RECOMENDADAS
Soja-fumo, guandu-milho, guandu-algodão, fumo-cana, cotalária-cana, festuca-batatinha e outras.

CONCLUSÃO: Abaixo a monocultura !

A cultura protetora
Protege-se o solo, da sua decadência física e química, com medidas especiais, como a cobertura morta, espaçamento menor entre as plantas e com o uso da cultura protetora. Nas regiões tropicais e subtropicais, as técnicas agrícolas que mantêm o solo limpo, devem ser substituídas por “invasoras escolhidas”, as culturas protetoras e, na estação seca, pela cobertura morta.

Para evitar os inconvenientes da monocultura, usa-se plantar em consórcio a cultura protetora, assim chamada porque fornece nitrogênio à cultura principal, enriquece o solo com matéria orgânica e não compete em água e nutrientes.

Exige-se da cultura protetora que:
1 – tenha propagação fácil, por semente
2 – seja de crescimento rápido
3 – tenha sistema radicular diferente
4 – não compita pelos mesmos nutrientes
5 – idem, com relação à água no solo
6 – seja resistente a pragas e doenças da cultura
7 – não seja hospedeiro delas
8 – suprima as plantas invasoras, inclusive a rebrota da mata.

Exemplos de culturas protetoras:
- milho com guandu (ou feijão-de-porco)
- algodão com soja-perene (ou amendoim)
- trigo com trevo-branco
- cana-de-açúcar com feijão-fradinho
- seringueira com centrosema (ou kudzu tropical)
- babaçu e dendê com estilosantes
- abacaxi com crotalária

É indispensável que a cultura protetora seja uma planta comum da região, desenvolvendo-se rapidamente e com vigor. Se não o fizer, não conseguirá suprimir as invasoras nativas (mato), nem proteger a cultura comercial. A cultura protetora deve ser a “invasora escolhida”.

A cultura protetora é ótima para a estação das chuvas, mas deve ser usada com muita cautela na estação seca. Nesta época, é melhor que seja picada e distribuída como cobertura morta na superfície do solo, protegendo-o contra a evaporação, captando as raras chuvas hibernais e protegendo o solo do impacto das primeiras chuvas da Primavera.

Embora o aproveitamento da adubação química seja maior ao sol, a cultura protetora nas entrelinhas, diminui a evaporação, serve como quebra-vento e protege o solo contra a erosão.

Experiências mostraram que uma sombra de 30 a 40% é mais vantajosa do que o cultivo a pleno sol, permitindo colheitas elevadas.

Devemos tomar cada invasora como “planta indicadora” de uma condição específica do solo, criada pela monocultura. Assim, guanxuma é o sinal típico de solos muito adensados. Samambaia adora solos ácidos. Cana-de-açúcar é facilmente invadida pela gramínea Brachiaria plantaginea.

Vamos prestar mais atenção à Natureza.

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3 Respostas to “Manejo ecológico do solo”

  1. maria aparecida said

    adorei as busca sobre o solo nordestino.

  2. renata rigobelo said

    estou fazendo uma pesquisa escolar , trabalho de ciencias
    sobre manejo adequado do solo quebra – vento
    adorei o conteudo do site

  3. Léo said

    Adorei seu jeito de falar do solo, do ambiente, do respeito à vida. Parabéns!!!

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